Coronavírus e outras arboviroses



Com o intuito de prestar esclarecimentos sobre diabetes e outros assuntos de interesse geral, publicaremos entrevistas com renomados profissionais.
Nesta entrevista a Dra Rosane Kupfer, Presidente da SBD Regional Rio entrevista o Dr Alberto Chebabo, Vice Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.


Rosane: como se manter informado com tantas fontes publicando as novidades? Quais sites voce recomenda?
Alberto: Realmente temos um excesso de informações sobre esta epidemia. Recomendo os sites que trazem informações confiáveis. Os sites da OMS (who.int), do CDC (CDC.gov) e do Ministério da Saúde (saúde.gov.br) têm informações de qualidade e são atualizados regularmente. A SBI também mantém um site com informações atualizadas (Infectologia.org.br).

Rosane: o Brasil é privilegiado por sua distância dos países onde costumam surgir grandes epidemias como países da Africa e da Asia. Devemos nos preocupar com o CoronaVirus que vem causando essa epidemia na China? Como se dá a transmissão e quais os sinais e sintomas? Precisamos comprar máscaras?
Alberto: A epidemia tem se mantido localizada na China, principalmente na província de Hubei. Mais de 90% dos casos e das mortes ocorrem nesta região. Já temos casos ocorrendo em outros países, mas todos controlados, sem transmissão sustentada ocorrendo fora da China.
A transmissão é por via respiratória, através de gotículas e por contato indireto. Neste momento não há necessidade de máscaras para a população, pois não temos epidemia ocorrendo fora da China.

Rosane: Como podemos nos proteger?
Alberto: As medidas recomendadas são as de higiene pessoal, como realizar higienização das mãos frequente com álcool gel ou água e sabão, evitar contato com pessoas com sintomas respiratórios e evitar aglomerações em períodos de epidemias. Além disto, os que tem sintomas respiratórios devem evitar ambientes fechados com demais pessoas e utilizar lenço de papel ou o braço para cobrir a boca ao tossir ou espirrar. Essas medidas ajudam a reduzir o risco de disseminação de doenças de transmissão aérea.

Rosane: Apesar dos novos desafios nao conseguimos ainda uma vitória contra os velhos inimigos como as doenças transmitidas pelo mosquito da dengue. Qual o panorama atual?
Alberto: O controle do Aedes aegypti, transmissor da Dengue e outras arboviroses é difícil e complicado em todo o mundo. A desestruturação das cidades e o aumento da temperatura global favorecem a proliferação do mosquito. Ainda teremos que conviver com epidemias frequentes de Dengue e Chikungunya, além de outras arboviroses por muito tempo. Mas as ações de controle do mosquito são fundamentais para reduzir o número destas epidemias e principalmente, o número de pessoas afetadas.

Rosane: quando virão as vacinas contra essas doenças?
O desenvolvimento de vacinas é complexo e demanda tempo, com estudos devendo mostrar segurança e eficácia em grande número de pessoas. Normalmente uma vacina demora de 5 a 10 anos para ser desenvolvida e comercializada. Não teremos uma vacina eficaz para o novo Coronavirus tão rapidamente.




Sociedade Brasileira de Diabetes/Regional Rio de Janeiro
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